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Prejuízo com suspensão de exportações de aves de SC chega a US$ 5 mi mensais

No ano passado, os europeus compraram US$ 775 milhões da ave brasileira

Por: Gabriela David - Dia: - Em: Notícias

Prejuízo com suspensão de exportações de aves de SC chega a US$ 5 mi mensais
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Está confirmada para sexta-feira à tarde, em Bruxelas, na Bélgica, uma reunião da equipe técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com a Direção Geral de Saúde e Segurança de Alimentos da União Europeia. O objetivo é esclarecer a situação sanitária da produção de frangos do Brasil.

No ano passado, os europeus compraram US$ 775 milhões da ave brasileira. A reunião é considerada fundamental pelas lideranças do agronegócio em Santa Catarina, pois pode dimensionar os impactos da suspensão de exportações de 10 plantas da BRF para a União Europeia, sendo três em Santa Catarina (Chapecó, Capinzal e Concórdia), determinadas na semana passada pelo Ministério da Agricultura.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, a União Europeia representa 15% da venda de frango de Santa Catarina em valores. A BRF responde por aproximadamente 5%. Como Santa Catarina exportou US$ 116 milhões em fevereiro (cerca de  R$ 384 milhões), isso representaria cerca de US$ 5 milhões (ou R$ 16,5 milhões) por mês que deixariam de ir para a Europa.

– Vai ter um impacto, mas a BRF pode redirecionar a produção a outros mercados. As demais empresas vão continuar exportando e esperamos que esse período de suspensão seja curto – explica Spies.

No campo, o clima é de falta de informação e insegurança.

– Quando vi as primeiras notícias, me apavorei, pois vai cair em cima de nós, com certeza – diz uma avicultora de Chapecó, que há 40 anos trabalha na criação de aves, tem 7 mil perus na engorda e prefere não se identificar.

Outro avicultor, Marcelo Rosina, que mora na linha Cabeceira da Divisa, disse que não teve nenhum comunicado da empresa:

– A gente ouve que pode dar problema e isso preocupa, pois temos funcionários para pagar, parcela do aviário e, nesses casos, o primeiro que apanha somos nós.

Há cinco anos, ele investiu R$ 100 mil na reforma de dois aviários e tem três parcelas a quitar. Outro avicultor de Chapecó, Ronei Zanrosso, diz que, se baixar o preço, não vale a pena criar aves. Ele ganha R$ 10,8 mil num lote de 3 mil perus em três meses. Como sobra só 30% de lucro, representa R$ 1 mil por mês.

– Para nós, está ruim. Para a empresa, não está grande coisa. Daí desanima. Se não liberarem as exportações, o aviário poderá ficar vazio em 30, 60, 90 dias e ficaríamos sem receber – avalia. Já o produtor Flávio Fonseca acredita que a liberação das vendas não vai demorar. É nisso que está apostando o setor. O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), José Antônio Ribas Jr, acredita que, se o Ministério da Agricultura retirar o embargo após a reunião de Bruxelas, o impacto não será significativo.

Setor projeta alternativas caso a crise tenha efeito prolongado

Segundo Ribas, não só a BRF, mas outras empresas foram impedidas de exportar pelo Ministério da Agricultura, o que considerou uma medida equivocada:

– Passamos por rigorosos controles de qualidade. Esse problema é pontual. É um caso de 2016 e não causa prejuízo à saúde humana. É mais prejuízo econômico.

Ribas reconhece que há caminhões com produtos nos pátios das agroindústrias, mas que isso é reflexo da queda das exportações neste início de ano também por restrições do Ministério da Agricultura. O presidente da Acav diz que nenhuma agroindústria começou a reduzir o alojamento de pintos no campo, nem reduziu o abate.

– Estão todos esperando o resultado dessa reunião em Bruxelas. Se for positiva, mantendo talvez apenas três plantas suspensas, já começa a escoar a produção e volta à normalidade. Caso contrário, teremos redução de abates, férias coletivas e até lay off (suspensão temporária de contrato de trabalho, mas sem demissão). 

O aumento do preço do milho é outra ameaça à produção. Ribas solicitou a isenção de impostos para trazer o insumo de outras regiões, pois em SC o déficit chegará a 4 milhões de toneladas neste ano.

Número da avicultura em SC

- O Estado abateu 883,8 milhões de aves em 2017 - O volume representa 2,1 milhões de toneladas - No ano passado, foram exportadas 971 mil toneladas - O faturamento das exportações de frango foi de R$ 1,8 bilhão - O valor bruto da produção agropecuária foi de R$ 6,2 bilhões - A BRF responde por cerca de um terço da produção - Também representa cerca de 3 mil dos 10 mil avicultores do Estado - Somente nas unidades de Capinzal, Concórdia e Chapecó são abatidos cerca de 900 mil aves por dia

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